Não é de se estranhar, com a evolução dos meios de comunicação, que o mundo cada vez mais se aproxime, tome formas de uma aldeia global, e que as profissões, junto com muitas outras coisas (relacionamentos, compra e venda, etc) sofra uma significativa mudança, agora e sempre, e até o fim dos tempos, amém.
Entretanto, quem, no meio das mudanças que trazem as novas tecnologias da informação (T.I) e web 2.0, já tomou conhecimento dos trabalhos de
Richard Susskind e não se assustou, que atire a primeira pedra.
Realmente é de espantar as palavras de Susskind, que traduz o seu trabalho no bordão "o fim dos advogados". E para quem cursou direito em nível de graduação a afirmação se torna ainda mais complicada de "digerir".
E isso não é por algum amor exagerado pela profissão, tão cego que impede de ver as coisas dinoussáricas e exageradas que ainda se perpetram no meio jurídico de maneira absurda.
Não sou um completo e profundo conhecedor da obra e trabalhos do Dr. Susskind. E nisso até me repreendo, por ter pouco contato e logo escrever algo sobre o assunto, mas pelo amor ao debate, o farei.
Desta maneira, permaneço na argumentação: os alunos de Direito aprendem na graduação, que o Direito nasce quando existem dois seres vivendo. A partir do momento que existem dois seres, racionais (e até irracionais, porque não?), existe o Direito. Como pode então se falar na dissolução dos advogados?
Admitir o fim dos advogados não seria o mesmo que admitir o fim dos conflitos?
E que fim dos conflitos é este? Será que é possível antever uma humanidade mais humana, mais "espiritualizada" em 100 anos?
A resposta é clara. Não haverá tal situação. E se há conflitos, como resolvê-los? A defesa dos Direitos é uma longa sucessão de discussões, guerras e dicotomias que vieram a se aperfeiçoar relativamente com o surgimento dos advogados, do devido processo legal, do contraditório, da apresentação de provas perante um órgão previamente instituído, legal e imparcial, o juiz. Como admitir que anos de evolução civil simplesmente vão ao pó em 100 anos?
Me considero um evolucionista. Para o bem da razão, da ciência e da humanidade, é preemente que deixamos a evolução ocorrer quando esta já anseia para atravessar os portões do tempo.
Agora, como admitir que os advogados não mais existirão? Como isso é possível? O próprio Susskind não especifica como isso poderá ocorrer (marketing, talvez?) em seus artigos no
New York Times. O engraçado é observar que o próprio Susskind é advogado e aconselha atualmente os seus pares na área da I.T.
Faço uma pergunta (simplória e provavelmente dirão até "boba"): médicos deixaram de existir, porque foram inventados aparelhos que mantém a vida dos seus pacientes por meios eletrônicos?
A resposta todos sabem.
Só me resta esperar, até saber exatamente que tipo de extinção é esta a que se refere Susskind. E acompanhar o debate.
Abraços a todos os colegas da comunidade.