ADVOGADOS NETWORKING

A rede social dos advogados

Olá, pessoal!

Notei que é crescente o número de advogados e advogadas que estão enveredando pelos caminhos da web, buscando marcar presença em redes sociais e blogs jurídicos, seguindo uma onda de sentimentos colaborativos no mundo jurídico. No entanto, há uma série de formas de usar da colaboração de forma mais eficaz do que simplesmente "perguntar e responder", de modo a fazer com que a profissão de advogado se torne mais fácil e mais divertida.

A pergunta-título desta discussão é: como a colaboração pode nos ajudar enquanto advogados? Ou seja, como a colaboração - especialmente, mas não só, na internet - podem ajudar os advogados e advogadas em sua vida profissional cotidiana?

Estamos diante de uma ótima pergunta. Colaborar é uma atividade que poderíamos considerar como sendo "multidirecional". Todos nós temos algum conhecimento que podemos compartilhar com outras pessoas de modo a tornar a vida delas mais interessante e rica em informações. Ao mesmo tempo, cada um de nós não tem todo o conhecimento, de modo que também necessitamos de conhecimentos que outras pessoas têm. Hoje em dia, a colaboração está muito ligada a este fato, e se relaciona com uma atividade em que várias pessoas colocam em jogo um pouco do conhecimento que têm para formar um conhecimento maior do que todas as porções individuais de conhecimento.

Na prática, existem várias formas de usar da colaboração para a vida profissional advocatícia. Posso sugerir alguns exemplos que podem ser usados desde logo. São exemplos simples, sem custos, mas que - por algum motivo desconhecido - parecem não estar sendo usados por quase ninguém. Vamos aos exemplos?

Modelos colaborativos de peças judiciais: Se percorrermos a internet, notaremos que muitas pessoas estão em busca de modelos de petição. Modelos de petição e de recursos servem para facilitar a vida dos advogados, porque possuem estruturas básicas sobre determinados tipos de ação ou de recursos, contribuindo para que o profissional não olvide de tópicos importantes de estarem presentes nas peças judiciais. Quando alguém possui um modelo que possa ser emprestado, então quem pediu já tem meio caminho andado em sua busca por elaborar sua própria petição em algum processo no qual atue. Mas, geralmente, se não encontra volta ao seu solitário trabalho e cria sozinho a sua petição. Como a colaboração pode nos ajudar enquanto advogados, neste caso: vocês conhecem o Google Docs? Trata-se de uma ferramenta gratuita de edição colaborativa de textos. O dono de um arquivo de texto no Google Docs pode reunir um número de pessoas que terão permissão de editar o arquivo, cada um em seu próprio computador, estejam elas onde estiverem. Imagine que 10 pessoas trabalhem com uma mesma área do direito e precisem de um modelo de determinado tipo de ação ou de recurso. Se ninguém consegue um modelo, por que não criar um em conjunto através do Google Docs? O Google Docs é de fácil uso e tem versão em português. http://docs.google.com.

Saber perguntar "em tese": Blogs e redes sociais têm se tornado grandes repositórios de perguntas sobre direito. Mas, como é que as perguntas são feitas? A resposta é: de todas as maneiras. Entretanto, é importante que os advogados pratiquem a formulação de questões de modo que permita o máximo possível de pessoas participar das respostas. Esta lição é muito importante no direito, porque perguntas sobre casos específicos não podem ser respondidas fora do contexto de uma consulta pessoal advocatícia. Mas perguntas "em tese" podem. Por exemplo, perguntar sobre caso específico de separação extrajudicial não é adequado, porque as respostas serão limitadas ou terão que simplesmente inexistir. Agora, perguntar algo como: é absoluta a regra que impede a separação extrajudicial de casal que tenha filho menor de idade? (se você acha que a resposta é sim, leia o verbete "divórcio extrajudicial" na Forensepédia). Como a colaboração pode nos ajudar enquanto advogados, neste caso: ao fazer perguntas "em tese", sem referência a casos específicos, outros advogados podem ajudar a estudar as questões.

Usar a Forensepédia: Em poucos minutos, qualquer pessoa pode se cadastrar na Forensepédia e criar e editar verbetes sobre assuntos jurídicos. Além disso, qualquer pessoa pode usar do conteúdo da Forensepédia, desde que mantenha a mesma licença Creative Commons (atualmente é a licença CC-BY-SA - ou seja, Creative Commons-Atribuição-Compartilhamento pela mesma licença). Há vários verbetes na Forensepédia, e muitos mais serão criados com o tempo. A Forensepédia é um lugar onde as pessoas podem compartilhar de seu conhecimento jurídico com o Brasil e com o mundo. Como a colaboração pode nos ajudar enquanto advogados, neste caso: um advogado, ou um grupo de advogados podem editar um ou alguns verbetes importantes para suas respectivas áreas de atuação. Ao compartilhar de seu conhecimento em verbetes, outras pessoas poderão acessar e colaborar para desenvolver ainda mais as definições e informações sobre cada assunto, de modo que, colaborando cada um com uma porção de conhecimento, forma-se uma enciclopédia jurídica livre de cada vez mais qualidade! Além disso, a todo momento os advogados se veem na desafiante missão de orientar novos estagiários sobre assuntos jurídicos essenciais em suas áreas de atuação. Parte desta orientação pode ser dar através da indicação da leitura de verbetes que os próprios advogados ajudaram a editar e onde sabem que há conhecimentos que seus estagiários devem possuir para um bom desempenho do estágio.

Eis então três exemplos de como a colaboração pode nos ajudar enquanto advogados. Caso haja dúvidas ou apareça uma vontade incontrolável de aplicar essas ideias, vamos debater! Quem quiser experimentar essas ideias na prática e precisar de mais orientações, pode entrar na discussão ou enviar uma mensagem diretamente a mim.

Um grande abraço a todos!

Gustavo D'Andrea

Compartilhar

Responder esta

Respostas a este tópico

Caro Gustavo D'Andrea,

Eis um assunto muito interessante para se debater. Parabéns pela exposição e pelos exemplos indicados.

Este espaço é um dos exemplos da importância da colaboração e da existência crescente de redes sociais. Parabéns renovados ao Dr. Alexandre que tem sido, no Brasil (e no mundo "português") incansável nesta "luta".

Também eu tenho transportado o meu estandarte em terras lusitanas, com humildade e muita preserverança, tendo criado a "Comunidade do Direito - a rede Social do Portalforense", pouco antes desta comunidade nascer (em Fevereiro de 2009). Essa rede, eminentemente frequentada por juristas portugueses, conta com a presença de juristas de língua portuguesa de outras nacionalidades (brasileiros, angolanos, moçambicanos, guineenses), estando a atinginr praticamente os 1000 membros.

E trago à colação a existência desta rede por uma simples razão: a colaboração é importante entre profissionais do mesmo País, do mesmo Estado, mas também é crescentemente importante a colaboração transnacional.

Cada vez mais há circulação de bens e pessoas e, por conseguinte, as relações jurídicas tendem a estender-se no espaço global, arrastando as suas normas, os seus direitos e garantias e, portanto, exigindo mais conhecimento jurídico sobre os sistemas jurídicos de outros países e um reforçado domínio do Direito Internacional (Público e Privado), dos Tratados e Convenções.

Por isto também, é importante estar "ligado" a colegas de outros países e noutros locais, fidelizar relações e estabelecer laços e parcerias que permitam - quando necessário - a colaboração efectiva, eficaz e eficiente dos parceiros em prol dos interesses que patrocinamos.

Pessoalmente, já tive experiências com colegas no Brasil que partiram do puro contacto através da Internet (com recurso a Email, Chat e Skype, bem como mais recentemente ferramentas de webmeeting) e, posso testemunhar, foi muito profíquo esse relacionamento.

Julgo que teremos e temos que reforçar esses canais de colaboração transnacional e transatlântica.

Deixo aqui o convite a todos os que também quiserem integrar esse espaço , bastando fazer o registo AQUI.

Bem hajam,

Rui Maurício
Skype: rfcmauricio

Responder esta

Olá, Maurício!

Obrigado pela mensagem. Eu não tinha ainda conhecimento da sua rede social, ou ela ainda havia me passado de forma despercebida. Bom, parece que temos então centenas de juristas brasileiros, portugueses e de outros países lusófonos, se pensarmos nos membros da rede Advogados Networking e da rede Comunidade do Direito. Aproveitando a oportunidade - e o fato de que és um criador de rede social - pergunto: como podemos tornar mais integradas as atividades entre nossas redes sociais? Talvez devamos conversar sobre isso, o que acha?

Outra coisa, complementando a sua observação sobre a necessidade e importância da colaboração transnacional: recentemente, iniciamos na Forensepédia um projeto chamado "Ordenamentos Jurídicos dos Países Lusófonos", com o objetivo de incentivar a criação e edição de verbetes sobre termos jurídicos específicos de ordenamentos jurídicos de países lusófonos além do Brasil. Também podemos conversar sobre este projeto, pois ele pode ser uma forma de desenvolver mais essas interações internacionais que frisaste na sua mensagem.

Um grande abraço!

Gustavo D'Andrea

Responder esta

Caro Gustavo

Pertinente e oportuna a sua explanação. O tema abordado, acredito, seja do interessa de muitos profissionais, inclusive meu. Penso que o debate, a troca de informação, o esclarecimento de dúvidas, proporcionam um aprendizado coletivo.

Confesso que não conhecia os recursos pertinentes a modelos colaborativos e a forensepédia. Vou conhecê-los, puxando-os para os meus favoritos.

Parabéns pela magnífica iniciativa.

Ricardo D´Acri

Responder esta

Em primeiro lugar, registo a importância da discussão e do debate do tema, para que encontremos caminhos e soluções.

Em segundo lugar, talvez seja profícua a criação de grupos de ligação entre juristas transnacionais (com língua comum), atendendo a áreas de intervenção e especialização técnica, potenciando o contacto e apoio a clientes que actuam na esfera mais global, mas também partilhando as experiências do Direito e da Justiça local (as boas e as más práticas) para que possamos ter em consideração essa aprendizagem acumulada por outros que estão para lá da nossa comunidade habitual de intervenção, mas que já vivenciaram experiências que poderão ser muito importantes na aprendizagem individual e colectiva de outras comunidades.

Da minha parte, estou disponível para o debate e para a troca de ideias e para a colaboração na criação dos instrumentos que viabilizem reforçar canais de crescente comunicação entre os "Homens do Direito".

Rui Maurício

Responder esta

RSS

Sobre

Gustavo D'Andrea Gustavo D'Andrea criou esta rede social no Ning.

Badge

Carregando...

© 2009   Criado por Gustavo D'Andrea no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Clicky Web Analytics
Clicky Web Analytics